| Ano-base | Decisão histórica | Títulos diretamente impactados |
|---|---|---|
| 1975 | Contratação de Rivellino e montagem da “Máquina Tricolor” por Francisco Horta | Bicampeonato Carioca 1975–1976 |
| 1984 | Aposta em Romerito no meio da competição e mudança de comando para Carlos Alberto Parreira | Campeonato Brasileiro 1984 e Carioca 1984 |
| 1995 | Contratação de Renato Gaúcho em meio a crise financeira | Carioca 1995 (Gol de Barriga) |
| 2000–2012 | Parceria com a Unimed e política agressiva de contratações | Brasileiros de 2010 e 2012 |
| 2010 | Trazer Muricy Ramalho e mantê-lo mesmo diante de convite da Seleção | Brasileiro 2010 |
| 2012 | Manutenção de Abel Braga e reforço de um elenco já forte | Brasileiro 2012 |
| 2019–2023 | Reaproximação com Fernando Diniz e renovação de longo prazo | Carioca 2023, Libertadores 2023, Recopa 2024 |
| Projeto Xerém (1990–2020) | Construção e consolidação do CT de base em Xerém | Impacto em diversos títulos, especialmente Libertadores 2023 |
1. A aposta de Francisco Horta na Máquina Tricolor (1975–1977)
Decisão central: ao assumir em 1975, Francisco Horta investiu em estrelas nacionais — sobretudo a contratação de Roberto Rivellino — e montou a lendária Máquina Tricolor.
Principais escolhas
- Contratação de Rivellino em 1975, operação ousada que elevou o patamar técnico e midiático do clube.
- Política ativa de trocas com clubes cariocas, trazendo nomes como Paulo César Caju e reforçando com jogadores de seleção.
- Manutenção de um futebol ofensivo e vistoso, com técnicos como Didi, priorizando espetáculo sem abrir mão da competitividade.
Títulos gerados
- Bicampeonato Carioca 1975–1976, com a Máquina dominando o Rio e enchendo o Maracanã.
Por que foi decisivo? A aposta em um elenco estrelado colocou o Fluminense no centro do futebol nacional e criou uma identidade ofensiva que perdura no imaginário do clube.
2. Romerito, Parreira e o Brasileiro de 1984
Decisão central: trazer Romerito durante o campeonato e promover a troca de comando para Carlos Alberto Parreira, buscando equilíbrio defensivo e eficiência.
Principais escolhas
- Contratar Romerito como meia de chegada, decisivo em jogos-chave (ex.: final contra o Vasco).
- Apostar em Parreira para dar solidez defensiva a um time com talento ofensivo (Assis, Washington, Tato).
- Preservar uma espinha dorsal jovem: Paulo Victor, Ricardo Gomes, Branco, Delei, Washington e Assis.
Títulos gerados
- Campeonato Brasileiro 1984 (decidido em Maracanã lotado).
- Campeonato Carioca 1984, com atuações históricas da geração multicampeã.
Por que foi decisivo? A leitura precisa do que faltava — um meia de impacto e um treinador disciplinador — transformou a temporada e cristalizou uma era vencedora.
3. A ousadia de trazer Renato Gaúcho em 1995
Decisão central: em meio a crise financeira e desconfianças, a diretoria apostou em Renato Gaúcho como catalisador de um time desacreditado.
Principais escolhas
- Insistir na vinda de Renato mesmo com resistência interna e limitações financeiras.
- Montar um elenco combativo, com perfil de decisão, capaz de suportar pressão e jogos de alta tensão.
Título gerado
- Carioca 1995 — o famoso “Gol de Barriga” contra o Flamengo, em partida com alta carga dramática.
Por que foi decisivo? Mais que uma contratação, foi a escolha de um personagem capaz de transformar identidade e motivação do elenco, gerando um capítulo emblemático da história tricolor.
4. Parceria com a Unimed e a era dos super-elencos (2000–2012)
Decisão central: adotar a parceria com a Unimed como modelo de financiamento, permitindo contratações e retenções de alto custo e elevando o clube ao patamar dos grandes elencos nacionais.
Principais escolhas administrativas
- Modelo em que a Unimed bancava salários e luvas de jogadores de ponta (Romário, Edmundo, Deco, Fred, entre outros).
- Capacidade de reter atletas-chave (ex.: Conca) e formar elencos profundos e competitivos.
Impacto direto em títulos
- Brasileiro 2010 — elenco forte e estrutura financeira que viabilizou o tricampeonato nacional.
- Brasileiro 2012 — manutenção e reforço da base já vencedora, resultando no tetra.
Por que foi decisivo? Apesar dos riscos e da dependência criada, o modelo colocou o Fluminense numa regularidade competitiva nacional até o fim da parceria.
4.1. Trazer Muricy Ramalho e bancá-lo (Brasileiro 2010)
- Contratação de um técnico especialista em pontos corridos e manutenção do trabalho mesmo diante de convites externos.
- Campanha consistente com elenco projetado para longas competições; Brasileiro 2010 confirmado com 71 pontos.
4.2. Manter Abel Braga e refinar o elenco (Brasileiro 2012)
- Decisão de continuidade: preservar a espinha dorsal e acrescentar peças de qualidade.
- Resultado: campanha dominante e o Brasileiro 2012 com 77 pontos.
5. Reaproximação com Fernando Diniz e a conquista continental (2019–2023)
Decisão central: repatriar e depois renovar o contrato de Fernando Diniz, apostando em continuidade, identidade tática e um projeto de médio prazo.
Principais escolhas do projeto
- Estabilidade ao treinador: renovação e respaldo público para implementar o dinizismo.
- Elenco híbrido: veteranos de elite (Fábio, Felipe Melo, Ganso, Cano) + crias de Xerém (André, Nino, Martinelli, John Kennedy).
- Contratações cirúrgicas (Cano, Jhon Arias, Keno) e priorização de mata-matas, com gestão de rodízio no Brasileiro.
Títulos gerados
- Carioca 2023 — primeiro sinal de confiança no novo ciclo.
- Libertadores 2023 — primeira taça continental do clube, vencendo o Boca Juniors no Maracanã.
- Recopa Sul-Americana 2024 — consolidação continental.
Por que foi decisivo? A continuidade tática e o acerto na montagem do elenco permitiram ao Fluminense colher o maior troféu de sua história, resultado direto de um projeto sustentado.
6. Xerém como projeto de Estado dentro do clube
Decisão central: profissionalizar o CT de base em Xerém, transformando-o em pilar estratégico para revelações e formação de identidade.
Impactos em títulos
- Revelações históricas que alimentaram elencos vitoriosos ao longo das décadas.
- Contribuição direta na Libertadores 2023 com múltiplos atletas formados na base (ex.: John Kennedy, Martinelli, André).
Por que foi decisivo? A longo prazo, a fábrica de talentos deu sustentabilidade esportiva ao clube, permitindo competitividade mesmo em fases de menor investimento.
7. Relação com o Maracanã como estratégia esportiva
Decisão central: assumir o Maracanã como palco preferencial de grandes jogos, transformando partidas decisivas em eventos com enorme apoio de público.
Títulos marcantes vinculados ao Maracanã
- Brasileiro 1984 (estádio lotado).
- Carioca 1995 (Gol de Barriga, mais de 120 mil pessoas).
- Brasileiros de 2010 e 2012 — decisões e Fla-Flus históricos.
- Libertadores 2023 — final em casa, com quase 70 mil tricolores.
Por que foi decisivo? O Maracanã funcionou como extensão das Laranjeiras em decisões, amplificando vantagem de torcida e convertendo elencos fortes em capítulos históricos.
Conclusão
De presidentes visionários a parceiros financeiros, passando por técnicos bancados em momentos críticos e investimento contínuo na base, o histórico do Fluminense mostra que títulos marcantes nasceram de decisões corajosas e alinhadas a um projeto. A Máquina de Horta, o time de 1984, o elenco de Renato em 1995, a era Unimed e o Flu de Diniz com Xerém campeão da América são variações de uma mesma lógica: quando projeto, identidade e ousadia se alinham, as taças costumam voltar para Laranjeiras.
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