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Remo x Fluminense: Relembre o Jogo Marcado por Doping, Homofobia e Garrafadas
Por Redação FutFlu em 12/03/2026 12:14
O último embate entre Remo e Fluminense, ocorrido há quatro décadas, transcendeu o placar de 1 a 1 no antigo Mangueirão, pela primeira fase da Copa Brasil de 1986. As circunstâncias que envolveram essa partida a tornaram um marco de polêmicas, incluindo alegações de doping, manifestações homofóbicas e a retirada de jogadores do campo para evitar agressões com objetos arremessados.
Contexto e Acusações de Doping
Para compreender a magnitude dos eventos, é fundamental revisitar o cenário da época, quando o tema do doping ganhava destaque na mídia, especialmente em decorrência de controvérsias em Jogos Olímpicos. Após um empate sem gols contra o Sampaio Corrêa no Maracanã, o meia Renê, do Fluminense , concedeu declarações que geraram grande repercussão. Ele sugeriu que a equipe maranhense utilizara substâncias para obter um desempenho físico superior.
"Algumas equipes não têm preparo físico para acompanhar o ritmo de adversários mais bem preparados, como Fluminense , Corinthians e Flamengo e acabam usando artifícios, como o Sampaio Corrêa. Por isso, achei importante denunciar isso publicamente. Além disso, visavam mais o corpo do que a bola, entrando deslealmente", declarou Renê à Rádio Globo.
Posteriormente, a insinuação se estendeu ao confronto contra o Remo. Embora as entrevistas registradas sugiram que Renê temia a violência em campo, a versão que chegou ao clube paraense foi de receio de um novo caso de doping. "Nunca joguei contra eles (Remo) mas nessa fase as equipes não podem perder e costumam apelar para a violência", consta em registro no Jornal O Globo.
Tensão Pré-Jogo e Manifestações Hostis
A situação escalou rapidamente. Na véspera do confronto, o presidente do Remo, Hamilton Guedes, manifestou a intenção de processar o jogador. Simultaneamente, a diretoria do Fluminense temia que as declarações de Renê, possivelmente tiradas de contexto, pudessem incitar violência. Essa apreensão culminou em um lamentável episódio de cunho homofóbico.
Ao chegar em Belém, o Fluminense se preparava para treinar no estádio do Remo. Contudo, um grupo de torcedores paraenses invadiu o local, portando faixas com mensagens homofóbicas direcionadas a Renê. Em virtude do temor pela segurança, a delegação tricolor optou por realizar sua atividade no estádio do Paysandu.
Jogo Hostil e Final Lamentável
Em campo, o favoritismo do Fluminense não se concretizou, e o placar final de 1 a 1 refletiu um jogo tenso. Conforme antecipado, Renê foi alvo de xingamentos a cada toque na bola. Nos momentos finais da partida, a situação se agravou.
O gol de empate do Fluminense , marcado por Valbert, gerou fortes reclamações do Remo por um possível impedimento não assinalado. A partir desse lance, torcedores locais começaram a arremessar objetos no gramado. Após o apito final, a agressão se intensificou com o lançamento de garrafas em direção aos jogadores do Fluminense. Embora um torcedor tenha sido detido, nenhum atleta tricolor sofreu ferimentos.
O Legado do Confronto
Quarenta anos após o episódio, Fluminense e Remo se reencontram em um contexto mais pacífico. O Tricolor ocupa a quinta posição no Campeonato Brasileiro, com sete pontos, enquanto o Remo figura em 16º lugar, com três pontos. Ambos os clubes foram vice-campeões estaduais em suas respectivas competições regionais neste início de ano.
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