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Presidente do Fluminense recusa vender clube a investidores externos
Por Redação FutFlu em 04/08/2026 21:50
O processo de transição do Fluminense para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) segue em fase de modelagem interna. Embora a expectativa seja de que o projeto seja submetido à aprovação no segundo semestre, o presidente Mattheus Montenegro mantém cautela quanto à data da votação, priorizando o refinamento de cada cláusula do contrato.
O mandatário tricolor reforçou que o sucesso da empreitada não depende apenas do montante financeiro envolvido, mas essencialmente da sinergia entre o investidor e a cultura do clube. Para Montenegro, a gestão associativa exige uma escolha criteriosa de parceiros.
Durante sua participação no Rio Innovation Week, o dirigente foi enfático sobre o perfil que busca para o futuro do Tricolor, descartando propostas puramente financeiras que ignorem a história da instituição. "Mesmo por um valor maior, eu não venderia o Fluminense para um sheik árabe. É paradoxal, mas o futebol não foi feito para gerar dinheiro. Nenhum clube consegue oferecer um retorno de investimento que compense a taxa Selic no Brasil", afirmou.
Transparência e precauções no modelo de gestão
Diante das dificuldades enfrentadas por outros clubes cariocas que adotaram o formato de SAF, a diretoria do Fluminense tem buscado se distanciar de erros passados. A estratégia envolve um escrutínio rigoroso sobre detalhes operacionais, incluindo a autonomia para empréstimos de atletas.
Montenegro defende a postura da atual gestão, garantindo que o clube está conduzindo o processo com máxima clareza. "Eu desafio alguém a mostrar um processo de SAF mais transparente do que o do Fluminense ", declarou o presidente, reforçando que a proposta será apresentada aos sócios com total realismo, mesmo que isso implique em desgaste político.
O foco, segundo a presidência, é o planejamento de longo prazo, evitando promessas infundadas de grandeza imediata. "A SAF pode até ser rejeitada, mas eu não vou dizer que o Fluminense vai virar o Real Madrid. O objetivo é de longo prazo, porque, sem planejamento, a conta chega", pontuou.
Estrutura financeira e projeções da SAF
O desenho atual da proposta prevê uma divisão acionária atrelada ao passivo do clube no momento da assinatura. Com a dívida atual na casa dos R$ 871 milhões, a previsão é de que o investidor detenha 65% das ações, enquanto a associação ficaria com 35%, sujeitos a ajustes conforme o balanço de 2025.
Abaixo, apresentamos os pontos centrais da estrutura financeira planejada para o projeto:
| Categoria | Detalhes do aporte |
|---|---|
| Valor total projetado | R$ 6,4 bilhões em 10 anos (incluindo receitas próprias) |
| Aporte inicial | R$ 500 milhões (R$ 250 mi à vista + R$ 250 mi em dois anos) |
| Investimento anual | Crescimento gradual, partindo de R$ 480 milhões |
| Segurança | Suspensão de dividendos em caso de descumprimento de metas |
O Fluminense busca, inclusive, elevar os valores da proposta inicial, discutindo novas salvaguardas para garantir a integridade do planejamento. Caso as metas estabelecidas não sejam atingidas pelo investidor, o clube já prevê punições contratuais severas, como a interrupção no pagamento de dividendos, visando assegurar que o compromisso firmado seja cumprido integralmente.
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