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Naarã Lucas: O camisa 10 do Fluminense que superou o fim precoce da carreira

Por Redação FutFlu em 30/12/2025 10:17

O futebol profissional exige uma resiliência que poucos jovens de 17 anos conseguem demonstrar. No Fluminense, um nome começa a ganhar contornos de esperança para o futuro do meio-campo: Naarã Lucas. Atual camisa 10 da equipe sub-20 e campeão sul-americano com a Seleção Brasileira da categoria, o jovem busca inspiração em gigantes do esporte para moldar seu estilo de jogo. Entre suas referências, destacam-se nomes históricos e um astro da atualidade.

? Eu tenho três. Dois que meu pai sempre fala para eu assistir vídeos: Kaká e Zidane. Ele falou muito desses dois e passou isso para mim, e eu passei a gostar também. Do futebol atual, o Bellingham. É um jogador em quem me inspiro, atua em um dos maiores times do mundo, que é o Real Madrid, e eu acompanho muito ? apontou o meia.

Com 1,85m de altura, Naarã iniciou sua trajetória como centroavante, mas encontrou sua vocação como um meia-atacante moderno, capaz de infiltrar na área e decidir partidas. Essa polivalência e maturidade são frutos de uma herança familiar direta. Ele é filho de Milson Ferreira, ex-atacante com passagens por Botafogo e pelo futebol árabe, que atua como um mentor exigente no desenvolvimento do jovem atleta.

Referências internacionais e o DNA de Xerém no meio-campo

A experiência doméstica é um diferencial competitivo para o meia. Naarã admite que as cobranças do pai, embora gerem discussões pontuais, foram fundamentais para que ele queimasse etapas na base. ? Meu pai me dá muitos conselhos. A gente até discute um pouquinho porque ele é meio chato (risos). Tem jogo em que eu acho que fui bem e ele diz que fui mal. Eu sempre escuto, tento fazer o que ele pede dentro de campo e acho que isso me ajuda bastante. Acho que saí na frente de alguns colegas quando era pequeno porque meu pai sempre me dava esses conselhos, e alguns outros jogadores não tinham essa experiência ? destacou.

No entanto, a trajetória que hoje parece promissora esteve por um fio há pouco menos de três anos. Antes de completar 15 anos, durante um clássico contra o Vasco, uma entrada violenta resultou em uma fratura gravíssima no tornozelo direito. O cenário era alarmante: no hospital, o diagnóstico indicava que qualquer demora adicional na intervenção cirúrgica poderia ter levado à necessidade de amputação do membro. O período pós-operatório foi marcado por incertezas e dores intensas.

? Foi um processo complicado, doloroso. Logo depois que operei e achei que fosse ficar tranquilo, começaram a surgir alguns problemas. Problema de nervo, o pé não mexia. Foi um processo de sete meses que, no começo, foi muito doloroso e difícil para mim e para a minha família. Chegamos a ter dúvidas se eu ia conseguir voltar a jogar ou não ? relembrou o jogador.

O drama da lesão e o fantasma da aposentadoria precoce

O isolamento provocado pela lesão testou o psicológico do jovem, que via seus sonhos serem ameaçados justamente quando vivia seu ápice técnico, com convocações para a seleção de base. O impacto emocional de uma recuperação lenta e incerta é um fardo pesado para qualquer atleta em formação.

Fiquei muito triste porque começou a ter dúvidas se eu ia conseguir voltar a jogar ou não. Para qualquer um isso é muito complicado. A cabeça fica um trevo. Tinha dias que eu ficava chorando sozinho no meu quarto de noite. Pensando "será que vou conseguir voltar a jogar. Estava em um momento tão bom".

Durante os sete meses de afastamento, o tratamento no CT Carlos Castilho proporcionou o encontro com figuras centrais para sua reabilitação. O fisioterapeuta Filé e o lateral-esquerdo Marcelo foram pilares nesse processo. Marcelo , com sua experiência internacional e identificação com o clube, adotou uma postura paternal com o jovem, oferecendo o suporte emocional necessário para que ele não desistisse.

? Ele me viu lá, me abraçou e talvez nem saiba disso, mas foi muito importante na minha recuperação. Acho que ter esse carinho, ter me abraçado, ajudado e dado conselhos, foi fundamental. Ver a carreira dele, que saiu daqui novo para ir ao Real Madrid, que é o sonho de muita gente ? inclusive o meu ?, e depois voltar para o Fluminense com essa humildade de olhar para os Moleques de Xerém e tratar todos bem, acho que é muito importante ? valorizou Naarã.

O papel de Marcelo e Filé na reconstrução do atleta

Além do apoio moral do ídolo tricolor, a competência técnica de Filé foi determinante para que o tornozelo de Naarã voltasse a responder aos estímulos do esporte de alto rendimento. O tratamento humanizado fez a diferença para o meia e seus familiares durante os meses de incerteza no departamento médico.

O Filé é um cara muito bom. Me ajudou muito, ficou próximo de mim e do meu pai. Conversava com a gente direto. Me tratou super bem, acho que isso foi o mais importante. Mais do que o tornozelo, o tratamento deles comigo.

Agora, plenamente recuperado e estabelecido como um dos pilares da geração 2008, Naarã Lucas foca em objetivos imediatos. Ao lado de companheiros como Wesley Natã e Arthur Ryan, ele integra o elenco que disputará a Copa São Paulo de Futebol Júnior. A meta é clara: encerrar o jejum de títulos do Fluminense na competição e pavimentar o caminho para o time profissional.

Abaixo, relembramos as promessas de Xerém que ganharam destaque em anos anteriores, consolidando a tradição de formação do clube:

Ano Atleta Destaque da Trajetória
2025 Isaque Decisivo em finais de categorias de base
2024 Kayky Almeida Resiliência defensiva e superação pessoal
2023 Isaac Ascensão meteórica após cogitar desistência
2022 Alexsander Polivalência e superação após dispensa precoce
2021 John Kennedy Potencial ofensivo e faro de gol
2019 André Mudança de posição para se firmar no time
2017 Pedro Referência técnica na grande área

Metas para a Copinha e o futuro nos profissionais

A maturidade adquirida através da dor moldou um jogador que não tem pressa, mas possui uma determinação inabalável. Para Naarã, cada treino e cada jogo na base são passos fundamentais para alcançar o nível de ídolos que vestiram a camisa 10 tricolor, como Rivellino e Paulo Henrique Ganso.

Eu penso muito no hoje. Jogar essa Copinha, aproveitar minha oportunidade, tentar chegar longe, fazer o Fluminense voltar a ser campeão porque tem tempo que não vence. Depois, se vier profissional ou continuar no sub-20, vou ser muito feliz de qualquer forma.

O encerramento deste ciclo de recuperação e afirmação serve como lição para outros jovens que enfrentam lesões graves. A paciência, aliada ao suporte técnico e familiar, permitiu que Naarã Lucas voltasse a performar em alto nível, provando que o talento, quando acompanhado de força mental, é capaz de superar as adversidades mais severas do esporte.

? Eu achava que não ia conseguir voltar ao alto nível. Os primeiros seis meses são sempre muito difíceis. Eu falo para quem se machuca que, nos primeiros dois, três, quatro, cinco ou seis meses, é muito complicado conseguir voltar ao alto nível. Sempre digo: calma, não precisa ter pressa. E foi o que eu tive. Não tive pressa. Eu ia para casa, conversava com a minha família, eles falavam que eu precisava melhorar isso ou aquilo, e eu dizia que estava tentando, mas não estava conseguindo. Com calma, consegui melhorar. Sempre acreditei, mas lá no fundo ainda pensava: ?será que vou conseguir voltar mesmo??. Consegui e hoje estou novamente em um nível alto ? concluiu a joia de Xerém.

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Marina

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Comentado em 30/12/2025 14:58 A coragem dele inspira a base e mostra que paciencia vence no fim vamos Flu
Bruno

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Comentado em 30/12/2025 13:26 Essa lesao foi dura mas ele ta de volta brabo
Larissa

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Comentado em 30/12/2025 11:55 Fala mlk Naarã voltou com tudo e merece ser titular na Copinha vai pra frente Flu
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