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Fábio no Athletico? A história esquecida do goleiro do Fluminense

Por Redação FutFlu em 29/08/2026 14:49

Muito antes de consolidar sua trajetória como o atleta com o maior número de jogos na história do futebol mundial, o goleiro Fábio, atualmente defendendo as cores do Fluminense, viveu uma etapa praticamente desconhecida pelo público no Athletico, ainda em 1998. Esse breve vínculo com o Furacão acabou obscurecido pelo passar das décadas, devido à escassez de registros documentais daquele período. Contudo, foi possível resgatar detalhes fundamentais dessa passagem.

Para desvendar os pormenores desse registro histórico de quase 30 anos, foi necessário realizar uma varredura em arquivos jornalísticos da época, além de coletar depoimentos de pessoas que conviveram com o goleiro naquele momento de formação. O objetivo era esclarecer como um talento que já despontava para o cenário nacional acabou integrando as categorias de base do clube paranaense.

Os bastidores da chegada ao Furacão

Embora fosse público que Fábio chegou ao Athletico após sua passagem pelo União Bandeirante, restava a dúvida sobre qual competição ele efetivamente disputou pela equipe. A confirmação veio através de sua irmã, Fabiana Lopes Maciel, que esclareceu que o arqueiro defendeu o clube na Taça BH, um dos torneios de base mais tradicionais do Brasil.

Consultando o acervo da Biblioteca Pública de Curitiba, especificamente nas edições do jornal Tribuna do Paraná entre junho e julho de 1998, foi possível localizar os registros da transação. Naquele momento, quatro atletas do União Bandeirante foram cedidos por empréstimo ao Athletico para o torneio mineiro: Fábio , Godói, Chesco e André. O goleiro já era tratado como uma promessa de alto nível, ostentando o status de "goleiro de seleção" por ter vencido o Mundial Sub-17 no ano anterior.

A imprensa da época não poupava elogios, chegando a apelidar o jovem de 17 anos de "Superfábio", reforçando sua experiência nas seleções de base. As tratativas foram comandadas por Paulo Abagge, diretor de base do Athletico, que teria estipulado uma multa rescisória de um milhão de dólares junto a Serafim Meneghel, então presidente do União Bandeirante.

A experiência na base e a Taça BH

Com o objetivo de conquistar a Taça BH, o Athletico investiu em talentos do interior paranaense para reforçar seu plantel de juniores. O ex-zagueiro Cesco, que fez parte desse grupo, descreveu a sensação de chegar a um clube com a estrutura athleticana daquela época: "Foi uma sensação maravilhosa. Você sai de um clube do interior, e vai para a capital, num clube de uma estrutura igual ao Athletico, o CT do Caju já estava pronto. Nós três conversávamos: 'Vamos dar o sangue para permanecer nesse clube, porque é um sonho para a gente'".

Aquele time contava com outros nomes de peso, como o volante Kleberson, que posteriormente viria a ser campeão brasileiro e pentacampeão mundial. Sob o comando técnico de Sérgio Moura, a disputa pela titularidade no gol era intensa. Antônio Carlos, que disputava a posição com Fábio , recorda-se da chegada do colega: "Me recordo do Fábio chegando no clube, sempre muito cordial e já com status de atleta de categorias de base da seleção brasileira. Todo mundo percebia do grande potencial que ele tinha, ficamos apreensivos, sabíamos da concorrência forte que teríamos com ele".

Na Taça BH, o Athletico avançou como líder do Grupo F, mas acabou eliminado pelo Palmeiras no mata-mata, em uma disputa de pênaltis. Mesmo naquela fase, Fábio já demonstrava a habilidade que se tornaria sua marca registrada na carreira. "O Fábio sempre foi um bom pegador de pênalti. Nesse jogo, ele pegou um pênalti, mas não foi o suficiente, inelizmente. Mas isso desde o infantil, sempre teve essa boa qualidade de pegar pênaltis", relembrou Cesco.

A trajetória rumo ao profissionalismo

O ex-volante Clovis, que conviveu com Fábio nos treinamentos antes de ser promovido ao time profissional, também destacou a dedicação do goleiro: "A gente já sabia (quem era o Fábio ) em função da Seleção, a gente tinha esse sonho de buscar a Seleção e para o Fábio já era algo concreto. Veio com nome e status. Tanto que veio para jogar, ser titular e fez a diferença".

Clovis completou sobre as características físicas e técnicas do jovem jogador: "Ele era muito dedicado. Para a época ele já era alto, bem magrinho, mas grande. Se destacava pela qualidade, tecnicamente era muito bom. A gente brincava com o tamanho da mão dele para a idade, 17 anos. Era difícil fazer gol nele. O treinamento dele era muito forte. Tinha que bater muito bem na bola para fazer gol".

Após o término da Taça BH, o Athletico tentou concretizar a contratação definitiva do goleiro, mas o acordo com o União Bandeirante não foi firmado. Fábio seguiu sua carreira, passando pelo Cruzeiro e pelo Vasco, até retornar ao time mineiro e posteriormente se transferir para o Fluminense , onde segue quebrando recordes. Hoje, aos 45 anos, o veterano reencontra o Athletico, clube que serviu de cenário para um capítulo curto, porém marcante, de sua formação.

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