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Ex-técnico do Fluminense desabafa sobre mercado brasileiro e sucesso na Ásia

Por Redação FutFlu em 20/02/2026 05:04

Alexandre Gama, que teve a oportunidade de comandar o Fluminense em 2004, compartilha sua visão sobre o cenário do futebol brasileiro e sua trajetória de sucesso no continente asiático. Sua primeira experiência profissional no comando do Tricolor das Laranjeiras, em um momento delicado do Brasileirão, o colocou diante de nomes de peso como Romário e Edmundo. Embora tenha cumprido a missão de manter a equipe na elite, Gama não encontrou portas abertas em grandes clubes nacionais após essa passagem.

A necessidade de se reinventar o levou a trilhar caminhos no interior de São Paulo e Rio de Janeiro, mas a verdadeira virada em sua carreira se deu com propostas vindas do exterior. Experiências nos Emirados Árabes, Coreia do Sul e Catar foram degraus importantes que o conduziram ao capítulo mais expressivo de sua trajetória profissional: a Tailândia. Atualmente, ele lidera o Port FC, uma equipe de destaque no futebol tailandês.

Desafios e Oportunidades no Futebol Asiático

Ao relembrar sua estreia no futebol profissional, Gama destaca a dificuldade em obter oportunidades no Brasil naquela época. "No meu primeiro trabalho no profissional do Fluminense , a gente foi super bem. Só que naquela época o futebol não dava oportunidade para treinadores novos. Era uma outra ideia de mercado, então tive que me mudar para times pequenos para poder trabalhar. Foi um desenvolvimento de carreira excelente. Vi também que eu poderia receber propostas para trabalhar fora e apostei tudo nisso", explicou o treinador em entrevista.

Sua chegada à Tailândia foi marcante, assumindo o comando do Buriram United, o clube mais vitorioso do país. Em apenas dois anos, a equipe sob sua batuta conquistou impressionantes oito títulos, incluindo dois campeonatos nacionais consecutivos. Esse feito notável lhe rendeu o prêmio individual de melhor treinador em uma cerimônia que premia os destaques do esporte tailandês, um reconhecimento comparável a um "Oscar" local.

Trajetória de Sucesso e Criticas ao Mercado Brasileiro

Após solidificar sua reputação no Buriram, Alexandre Gama transferiu-se para o Chiangrai United em 2017. Mesmo em um clube com menor tradição, o técnico brasileiro adicionou mais quatro troféus à sua coleção. Seu desempenho o levou a ser convocado para comandar a seleção olímpica tailandesa. Foi durante esse período que recebeu duas propostas para retornar ao Brasil, de clubes que prefere não nomear, mas que acabou recusando em respeito aos seus compromissos contratuais.

Atualmente, Gama sente que o momento é propício para um retorno ao futebol brasileiro. Contudo, ele é categórico ao criticar a abordagem do mercado nacional na contratação de profissionais. "O Brasil não procura um treinador que tem trabalho, ele procura um treinador pelo nome. E eu não tenho um nome muito forte no Brasil. Só que todos os títulos que eu conquistei na Tailândia não foram de graça. As pessoas poderiam vir aqui avaliar meu trabalho, ver como meu time joga, porque eu ganho tanto título aqui. Mas eles não procuram isso. Eles procuram um treinador pelo nome que vai satisfazer a torcida, em vez de levar um treinador que é o treinador certo pela filosofia de trabalho dos jogadores que tem, o que querem implantar no clube", desabafou o ex-comandante do Fluminense .

Estilo de Jogo e Momentos Marcantes no Fluminense

No que diz respeito ao seu estilo de jogo, Alexandre Gama preza por equipes dinâmicas, com forte pressão sobre os adversários e que buscam a posse de bola. Ele ressalta, contudo, que a formação tática é adaptada às características dos atletas à disposição. "Meus times são muito organizados, bem preparados para qualquer situação de jogo", assegurou.

Durante sua passagem pelo Fluminense , Gama ficou conhecido por sua postura firme ao lidar com jogadores experientes do elenco, que contava com o apoio da Unimed. Um episódio notório envolveu provocações públicas de Romário, que acabou sendo afastado da equipe. "Entrou no ônibus agora e já quer sentar na janelinha", teria dito o lendário atacante. Após esse incidente, a passagem de Gama pelo comando do Fluminense foi breve, encerrando-se no mesmo ano. Em 2005, ele ainda retornou para atuar nas categorias de base do clube.

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