1. FutFlu

André Carvalho: 18 anos de decisões no gol do Fluminense e segredos de Fábio

Por Redação FutFlu em 31/01/2026 04:15

O preparador de goleiros do Fluminense, André Carvalho, compartilha uma jornada de quase duas décadas marcada por escolhas de alto impacto e momentos decisivos sob os paus tricolores. Desde 2013 no comando da preparação dos arqueiros profissionais, sua atuação esteve intrinsecamente ligada a campanhas memoráveis, finais disputadas e à trajetória de ídolos como Diego Cavalieri e Fábio.

"A gente é pago para performar, tomar decisão e ser criticado se for preciso", resumiu André Carvalho em uma conversa exclusiva, destacando a natureza inerente à sua função.

Decisões que Moldaram o Gol Tricolor

Um dos episódios de maior destaque em sua carreira ocorreu em 2013, quando Diego Cavalieri sofreu uma lesão inesperada às vésperas de confrontos cruciais. A situação exigiu uma intervenção rápida e precisa por parte de Carvalho.

?Ele teve um acidente doméstico e tomou sete pontos na mão. Ele perturbou o médico, mas não conseguia fazer a pegada. Fizemos um procedimento no vestiário, fiz um teste e disse que ele estava bem. Ele jogou contra o Atlético-MG e Bahia e fechou o gol. O goleiro que estava na reserva não tinha experiência, então, foi uma tomada de decisão importante?, relembrou o preparador.

Anos mais tarde, outra decisão de peso envolveu a chegada do experiente Fábio em 2022. A escalação do veterano na final do Campeonato Carioca contra o Flamengo foi um momento de alta tensão.

?Estávamos diante da decisão (do Carioca em 2022) contra o Flamengo. Mas na final do ano anterior, tínhamos tomado 3 a 1. O goleiro da época não foi tão bem... Com Fábio no banco, com chance de perder outra final, não podíamos perder a oportunidade. Mas meu erro foi prometer ao goleiro da época que ele jogaria o Carioca. Quando chega um gigante como o Fábio , a gente atua como um psicólogo: 'Fábio vai jogar Libertadores e Brasileiro, mas Carioca é seu'. Deu certo. Fábio está até hoje aí brilhando... De qualquer maneira, eu estava sempre revezando. O Abel na época falava que quem escalava era eu.?

O Passado de Jogador: Uma Brincadeira Constante

Apesar de sua vasta experiência e da confiança depositada em seu trabalho, André Carvalho é frequentemente alvo de brincadeiras por parte dos goleiros do elenco. A piada ganhou força com o ressurgimento de vídeos de sua época como jogador.

O preparador atuou como goleiro por uma década, entre os anos 1990 e 2000, iniciando sua trajetória nas categorias de base da Portuguesa em 1992. Sua estreia profissional, curiosamente, foi contra o Flamengo, em uma partida preliminar no Maracanã, que terminou com vitória por 2 a 0 para sua equipe.

? (Eu era) Nota 6. Tinha umas qualidades, como personalidade, mas meu mental era ruim. Falo isso porque sempre fui sincero. Se eu errasse, eu ficava nervoso depois no decorrer da partida. E hoje eu conheço o goleiro na avaliação depois que ele falha. É muito fácil na hora da euforia... Mas depois das falhas que vemos o mental, personalidade e como ele vai reagir depois disso. Foi uma experiência que tive como atleta, mas que hoje consigo detectar as características do goleiro.?

O jogo que selou o fim de sua carreira, no entanto, tornou-se motivo de chacota interna. Em 2001, em um confronto entre América-RJ e Fluminense pela Taça Guanabara, ele sofreu três gols da equipe que contava com Diniz e Marcão.

?Gustavo Scarpa, quando estava aqui, encontrou um vídeo. E eu nem sabia desse registro. Mas tomei um gol de falta do Asprilla. Eu pegava no pé do Cavalieri, mas o Scarpa tinha muita intimidade com o Cavalieri e conseguiu esse vídeo. Tomei gol no meu canto. Fui tentar adivinhar (onde ele ia bater), tomei no canto, mas goleiro não pode tomar gol assim. E aí virou resenha. Engraçado que fiz a estreia contra o Flamengo e parei contra o Fluminense . E parei porque logo depois estourou hérnia de disco e a fisioterapia não era tão avançada como hoje.?

?Até hoje o Fábio pega no meu pé. 'Nossa, você era ruim, hein', é o que me dizem. Mas não, era nervosismo e as coisas todas que quando a gente joga em time pequeno tem. Quando joguei na primeira divisão (do Carioca), senti um pouco. E o meu problema era emocional, abaixo da média.?

A Trajetória de Sucesso no Fluminense

Após encerrar sua carreira como jogador, André Carvalho precisou reconstruir sua trajetória profissional, atuando como treinador de goleiros em clubes menores, inclusive de forma voluntária, até conquistar seu espaço. Sua ascensão o levou às categorias de base do Fluminense e, posteriormente, à equipe profissional, onde alcançou grande sucesso.

?Quando surgiu a oportunidade de trabalhar no profissional, quem me indicou foi o Cavalieri e o preparador de goleiros na época, que era o Marquinhos Lopes, treinador do Abel (Braga). Subi com Vanderlei Luxemburgo (em 2013) onde estou até hoje. Tenho 14 anos de clube só no profissional. É muito gratificante porque, no futebol, vivemos de resultado e graças a Deus estão sempre acontecendo.?

Atualmente, ao lado de Josmiro de Goes, ele é responsável por manter Fábio , um dos goleiros com maior número de jogos na história do futebol mundial, em plena forma aos 45 anos. O arqueiro, que está em sua trigésima temporada como profissional, segue brilhando, em parte, por não repetir os passos de seu mentor, conforme é dito em tom de brincadeira nos bastidores do clube.

Curtiu esse post?

Participe e suba no rank de membros

Comentários:
Ranking Membros em destaque
Rank Nome pontos